Um conto de criança.
Quando criança tinha medo de virar adulta, da responsabilidade, das cobranças, de como me comportar na frente dos outros... Certo dia meu pai me chamou para ir ao trabalho com ele, eu tinha os meus cinco anos de idade, entramos no ônibus a ali minha aventura começou. Tudo era uma novidade para mim, como as pessoas se vestiam, como elas andavam, as casas...Quando a gente é criança, o mundo tem mais cor. Tenho uma vaga lembrança da sombra das arvores passando pelo vidro da janela e de como todas as pessoas sentadas ali pareciam sérias, tive medo de um senhor que me olhava mal por estar de pé no banco olhando a paisagem lá fora. Ainda em pé no banco, segurei-me na janela e fiquei na pontinha dos pés tentando ver as figuras de um livro que a moça sentada à frente foleava. Levei um susto e quase caí do banco quando ela olho pra trás e me disse escondendo o livro “Coisa feia ficar espiando os outros”, nessa hora meu pai me reprovou com seu olhar, aquele olhar que só os pais tem. Sentei-me no banco com as perninhas encolhidas, eu não entendia como tanta gente junta conseguia fazer tanto silêncio, algumas dormiam cansadas como se tivessem voltando e não indo, outras liam jornais outras ficavam olhando para fora do ônibus e outras ficavam olhando para a cabeça das outras como se estivessem em uma fila de boi indo para o matadouro, o meu pai estava assim, indo pro matadouro.
-Pai, o senhor gosta do seu trabalho?
-Não tenho essa opção de gostar, não estudei, então não posso reclamar do que tenho.
Me respondeu em voz baixa, acho que ele estava com medo de acordar as pessoas que estavam dormindo.
-Quando eu crescer, vou trabalhar muito pra divertir todas as pessoas do mundo, e quando elas estiverem voltando pra casa vão estar felizes, e vão trabalhar felizes e vou dar balinha pra todo mundo!
Meu pai riu, e pra mim seu riso não fez sentido.
-Você ainda é muito pequena, quando crescer e virar adulta vai ver que nada disso importa.
Nessa hora dei um grito, as pessoas que dormiam acordaram, as do matadouro me olharam irritadas, por três segundos fui o centro das atenções.
-Eu não vou virar adulta!
Depois que as pessoas perceberam que era uma criança falando algo que não lhes interessava, todos voltaram aos seu afazeres.
-Minha filha, fique quieta, e não de mais nenhum pio até chegar!
-É assim que vocês fazem? Então vou ser adulta até chegar!
Cruzei os braços e fui calada até lá.
Sempre acreditei que quando a gente cresce, o coração morre. O meu ainda respira, mas não sei quanto tempo tenho até crescer...
-Pai, o senhor gosta do seu trabalho?
-Não tenho essa opção de gostar, não estudei, então não posso reclamar do que tenho.
Me respondeu em voz baixa, acho que ele estava com medo de acordar as pessoas que estavam dormindo.
-Quando eu crescer, vou trabalhar muito pra divertir todas as pessoas do mundo, e quando elas estiverem voltando pra casa vão estar felizes, e vão trabalhar felizes e vou dar balinha pra todo mundo!
Meu pai riu, e pra mim seu riso não fez sentido.
-Você ainda é muito pequena, quando crescer e virar adulta vai ver que nada disso importa.
Nessa hora dei um grito, as pessoas que dormiam acordaram, as do matadouro me olharam irritadas, por três segundos fui o centro das atenções.
-Eu não vou virar adulta!
Depois que as pessoas perceberam que era uma criança falando algo que não lhes interessava, todos voltaram aos seu afazeres.
-Minha filha, fique quieta, e não de mais nenhum pio até chegar!
-É assim que vocês fazem? Então vou ser adulta até chegar!
Cruzei os braços e fui calada até lá.
Sempre acreditei que quando a gente cresce, o coração morre. O meu ainda respira, mas não sei quanto tempo tenho até crescer...
